A identidade de gênero andrógina

Muito se fala sobre estilo de vida, aparência e como a androginia está relacionada à moda. Pouco se discute o que ela representa para quem vive a androginia na pele, seja porque simplesmente já se constitui assim ou porque tem um desejo inato.

Pode ser que você reconheça a androginia como uma identidade de gênero, uma forma com que você interage com a sociedade. Hoje, é comum que as pessoas apenas reconheçam como válidas as expressões homemmulher. A androginia pode estar no meio delas – como androginia pura ou ageneridade – ou em ambas – como bigeneridade. Todas estas formas de se apresentar, obviamente, são válidas, porque o que importa é que a pessoa tenha autonomia sobre seu corpo e que seu ponto de vista seja respeitado.

Identidade não binária

Ter uma identidade de gênero diferente de uma percebida pela sociedade pode causar frustração, pois você pode preferir que as pessoas te tratem por pronomes neutros ao invés de masculinos ou femininos e nem sempre elas vão perguntar a melhor forma de interação. Assim, muitas vezes você precisa ativamente se posicionar e dizer como prefere que tratem sua pessoa.

Você pode ser agênero (não ter gênero), bigênero (ter componentes firmemente de ambos gêneros, em alguns casos com o nome de Two-Spirit), genderfluid (fluir entre ambos gêneros). Frequentemente a parte identitária da androginia é tida como genderqueer, uma expressão não-normativa de gênero, mas nem todos genderqueer se identificam como andróginos.

Aliados à androginia

Saiba que, tanto quanto é precioso a pessoas trans o respeito à identidade, é importante o respeito à identidade da pessoa não-binária. Neste caso, as pessoas de identidade não “mulher ou homem” (binárias).

Respeite a identidade e pergunte por qual pronome a pessoa deseja ser tratada. Não se trata de uma pergunta sem fundamento: pode efetivamente alterar a vida, para melhor, de a quem você faz tal questionamento e o respeita.

O “mero” respeito já lhe faz ser uma pessoa aliada à causa. Como bônus, com relação às pessoas não-binárias, você aprende com o tempo a usar uma linguagem natural a fim de evitar artigos definidos (o, a) quando dirigindo-se a uma pessoa. Dê preferência à linguagem realmente neutra, evitando usar termos como “elx”, “meninx”.

Você pode usar nomes: “Ariel sempre age com prestatividade – não tem frescura”; “Di me deu um presente hoje, amo!”; “Dani tem carinho por mim. E eu, claro, sou recíproca” (neste caso, você pode se definir, se quiser, obviamente).

Substituir construções como “é prestativo(a); agir com prestatividade”. É difícil no começo? É. Mas você aprende a torcer o nosso português, que é todo engessado aos gêneros. E mesmo assim é possível interagir de uma forma neutra.

Bônus extra de acessibilidade (além de aprender a linguagem neutra!): para cegos, os leitores não reconhecem “elx”, “meninx”.

 

Feminismo, o Perguntas & Respostas

Muitos quando se vêem diante da opressão hoje declaram-se feministas. Seja porque é gay, lésbica, negro(a), pobre, etc. Mas aí incorrem em vários erros por olhar somente para o próprio umbigo.

Nós, que tangenciamos ambos os gêneros amplamente conhecidos e, talvez, ambas as orientações sexuais, frequentemente nos encontramos na metade de ambos caminhos. Provavelmente encontramos algumas frases depreciativas ao longo de nosso caminho mas, assim como todas as identidades que desejam se firmar e apoiar o feminismo (que não significa um movimento biológico, mas social), vamos nos unir.

Então, o que a androginia tem a ver com o feminismo? Na verdade, tudo. O feminismo veio da opressão feita pelo patriarcado e, afinal, é ideal que todas as pessoas possam ser tratadas com respeito e serem reconhecidas como pares na sociedade.

1. A androginia dilui o conceito de homem e mulher?

Sim, porque ontologicamente as entidades “homem” e “mulher” construíram-se como uma dualidade. Vemos a sociedade falar em termos como macho alfa e mulher de verdade. Esses termos servem para distanciar as identidades e normatizá-las para que apenas grupos seletos de pessoas sejam conhecidos como tal – sendo isso uma enorme falácia, claro, porque é homem ou mulher quem se declara como tal.

2. Não pode um homem andrógino oprimir as mulheres andróginas da mesma forma que ocorre no patriarcado?

Sempre pode. Mas é interessante notar que é possível uma mulher cis oprimir um homem trans, um homem negro oprimir uma mulher trans. Porém, na androginia, uma das premissas é notar a diluição das características que fazem a ponte entre os universos “homem” e “mulher”.

3. O andrógino tem algum papel específico no feminismo, então?

Específico mesmo ninguém tem. Todos, como seres humanos, temos condições de agir para diminuir as opressões intencionais entre as pessoas. Nos nossos domínios, podemos olhar com paridade e tratar com decência a todos.

4. Você citou “intencionais”. Por que?

Uma grande cilada é achar que as opressões são simplesmente intencionais. Só que ela é estrutural: uma longa história onde as mulheres não tiveram voz, os negros não puderam votar historicamente. Ser homem cis hetero é muito, mas muito, diferente de ser mulher trans negra. Por mais que, hoje, uma pessoa se empodere, ela vem com cargas que ainda são muito pesadas.

5. Então, o que fazer se sou considerado homem cis branco?

Nada. Tratar as pessoas com o máximo respeito e não tentar interferir, não tentar “cuidar das coitadinhas”. Nas próximas gerações, permitir que elas se empoderem de verdade e não perpetuar o patriarcado. Fazer o seu. Não é necessário fazer o dos outros, senão você não estará delegando o poder: você continuará o concentrando.

6. Entendo. Então isso tem também a ver com distribuição de renda, igualdade social, etc.?

Tem. Se a renda for mais distribuída, mais pessoas como um todo terão chances de chegar lá. Elas poderão, aí, ter vidas dignas de verdade e trabalhar cada vez mais para si próprias. Se você é homem branco cis hetero rico, nunca fale mal de outras pessoas falando que fez tudo por esforço (mesmo que tenha sido!) porque você teve um contexto social e um ponto de partida que menos de 1% da sociedade teve. Se você veio do nada e hoje está tranquilo financeiramente/socialmente, não teve educação, buscou, trabalhou, ralou, pode falar em mérito porque você realmente teve de vencer muitas barreiras para estar onde está.

7. E querendo militar, pra quem você acha que devemos fazê-lo?

Pra quem nunca ouviu falar sobre, pra quem mais vai fazer diferença. Pra quem pensará em algo depois de ouvir uma opinião diferente, ainda que não goste num primeiro momento. Seus amigos, seus conhecidos, as pessoas do trabalho. Cada pessoa tem um potencial para plantar essas sementes e, na minha opinião, o melhor é passarmos nossos conceitos com quem mais se beneficiará de um ponto de vista da vida diferente.

Vi muitas discussões entre feministas discutindo entre si de uma forma contraproducente. E isso eu não posso permitir. Não pelo menos para mim. Todos os feminismos são complementares porque todo ponto de vista tem direito de existir (ainda que errado), inclusive o radical, o religioso, o machista. Por que teria eu o desejo de que tais correntes parem de existir se não conseguimos ainda lutar contra quem é contra qualquer feminismo? Claro, o que simplesmente quer tirar os direitos de quem quer que seja não tem de existir mesmo. E um PS: estes não passarão!

8. Há mais perguntas a se fazer?

Sempre. Devemos sempre nos questionar. Aliás, recomendo que você leia este texto desconfiando, pois você deve chegar às suas conclusões, não à conclusão que outra pessoa lhe passou. Tudo o que eu disser estará certo e errado. No site todo. Na vida toda. Aliás, feminismo também é isso: compreender nossos direitos e deveres, nossos limites e o dos outros, nossos privilégios e nossas opressões.

Androginia, feminilidade, masculinidade?

Uma pergunta aparece quando questionamos o que é “andrógino”. Será que é necessário abater todas as características femininas e masculinas para alguma coisa poder se intitular “andrógina”? A gente é condicionado pela sociedade a pensar que tudo tem sua definição masculina ou feminina. Algumas coisas são claramente de um ou outro gênero. Mas e o resto?

Quando você vê uma pessoa realmente dúbia, “prefere” ver que é alguém masculino travestido de feminino, o contrário ou simplesmente não dá nome? E quando há algo masculino, mas com toques igualmente femininos, que “nome” isso ganha? Há um espectro muito grande por onde o conceito da androginia pode pairar.

Em alguns casos, algumas pessoas também tem preconceitos dentro da nossa comunidade. Se alguém não está no conceito de beleza que achamos “legal”, pode ser que cometamos o erro de falar “ah, que (masculino/feminino) de tão feio/a”. Que digamos exagerado, exacerbado, fútil, qualquer nome. Mas e a gente? Não defendemos a liberdade?

Como fica a liberdade? Creio que a androginia deva ser inclusiva, e não exclusiva. Já há muito para que as pessoas se excluam. “você é muito masculina!” “que boiola” são algumas das frases que lembro. Pra que?

Androginia e transsexualidade

Estamos diante de dois temas que, quando juntos, costumam causam furor. Mas toda decisão é pessoalíssima e nem sempre ela é compreendida. A androginia para muitos significa estar no muro e a transsexualidade significa cruzá-lo. Não é exatamente “só” assim.

A androginia quando comparada com a transsexualidade (ok, na verdade são incomparáveis) significa um estado intermediário. Ela:

  • nem sempre requer mudanças físicas – muitos nascem andróginos;
  • nem sempre é acompanhada de disforia de gênero;
  • nem sempre requer que a pessoa seja dúbia fisicamente.

Há vários “tipos” de androginia e eles usualmente são abusados. Só que o grande denominador comum é que a pessoa tem de acumular uma proporção parecida de características femininas e masculinas. Mesmo não sendo possível quantificar qual é essa proporção, temos alguns clichês e situações exemplo onde isso é identificável:

  • a moça tomboy, o menino metrossexual, etc;
  • a menina jogadora de futebol que faz as unhas, joga videogame e usa saias;
  • o homem másculo que é carinhoso, sensível e chora.

Repito, são exemplos. O que importa: a androginia não é exclusivamente expressada pelo corpo. Muitos outros componentes entram nesta equação.

A transsexualidade é uma palavra mais específica à mudança de gênero. Portanto, pelo menos requer que a pessoa mude de gênero ou a sua apresentação quanto a ele.

Também: pode ser que uma pessoa transsexual seja ou se apresente como andrógina. Como a androginia tem várias facetas, é perfeitamente possível que um antes homem mude de gênero, apresente-se como mulher, mas seja andrógina. Ou, parafraseando o começo do texto, você pode cruzar o muro para ficar do lado de lá dele.

Estes caminhos devem andar juntos. E, de novo, a gente já encontra muitas palavras negativas lá fora. Aqui não!

Roupa(gen)s

E as roupas?

As pessoas andróginas geralmente sentem-se mais confortáveis para usar roupas do gênero oposto. Estão em um espectro muito amplo da “não-conformidade” e os looks dos artistas na galeria de Personalidades de aparência andrógina de uma certa forma confirmam isso. É claro que nós, pessoas comuns, também podemos nos vestir da forma que melhor acharmos.

Provavelmente você vai sentir vontade de usar, se não o guarda-roupa inteiro, algumas peças do gênero oposto. É claro que ter vontade não significa necessariamente ter coragem. Mas se você tem bastante medo para arriscar, tenho algumas sugestões:

– se você for menina, provavelmente vai cortar as unhas mais curtas (geralmente esse pensamento vem bem cedo). É possível fazer isso sem “chocar a sociedade” (oh!). Usar uma camiseta mais folgada, quem sabe masculina? Pouca gente percebe a diferença. Ou até uma camisa. Menos enfeites, talvez. Você vai encontrar o tom, mas a dica é, nesse caso, ir devagar.

– se você for menino, pode fazer talvez o contrário. Deixar as unhas crescerem mais um pouco (?). Usar roupas mais acinturadas. Mais ou menos o contrário do que a menina faria. E eu estou deixando o cabelo crescer.

Eu já usei o vestuário todo com peças vendidas para o sexo oposto, com exceção das roupas de baixo (não tenho esse fetiche)  e ninguém, que eu saiba, percebeu. Bem, eu não radicalizei. Usei uma camiseta de cor bem feminina por baixo de uma camisa, por exemplo. Não questionaram nada, porque eu já vinha vestindo peças mais diferentes. Aí as pessoas só pensaram que tenho mais interesse por moda.

As roupas são, se você não cruzar a fronteira, algo completamente reversível na sua vida, caso você se arrependa depois. São uma boa forma para você testar se realmente quer isso, porque muda a maneira com a qual você interage, mesmo que intimamente, com a sociedade. No meu caso, eu ando com muito mais confiança na rua – e isso porque eu não estou usando roupas 100% femininas.

Personalidades de aparência andrógina

PS: A pessoa ter uma aparência andrógina não significa que ela se identifique como uma pessoa andrógina ou que tenha esta identidade de gênero.

Sobre o medo nas ruas

Li uma postagem da Lola Aronovich sobre a mulher ter medo de estupro nas ruas, sobre a constante observância que ela passa quando andando. Ela linkou o texto da Melissa McEwan sobre a cultura do estupro. Citando o original:

Iain has noted before that no cis straight man is really as disconnected from rape culture as so many of them assert themselves to be, that most men have experienced a lone woman quickening her pace on a sidewalk ahead. Some men use that as an opportunity to empathize with the woman. And some of them use that as an opportunity to get angry with her for “treating me like a rapist.”

Lola postou a seguinte parte:

[…] A maioria dos homens já passou pela experiência de ver uma mulher sozinha andar mais rápido por ele estar atrás dela. Alguns homens usam isso como oportunidade para empatizar com a mulher. E alguns usam isso como oportunidade de ficar bravo com ela por ela ‘estar me tratando como um estuprador’.

Não sei quanto a vocês, mas hoje eu me sinto um pouquinho mais frágil quando andando e me identifiquei nesse texto porque olho, mais que antes, para trás e o outro lado da rua, principalmente à noite. Provavelmente esse medo é de uma possível outra violência que não o estupro, mas é bem relacionada.

Quer enfrentar a sociedade, dar explicações para um monte de gente?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

É. Pode ser que você tenha decidido alterar a sua “forma”. Aí, existe logo a pergunta: e agora? O que vou dizer para as pessoas? Como elas vão encarar? Enfrentarei preconceito? E meus amigos? Meus parentes? Perderei amigos, parentes? Será que eles vão compreender o que se passa comigo?

Em geral, a sociedade funciona com caixinhas. Se não for possível (como às vezes não é na androginia) te encaixar em alguma, pode ser que as pessoas não entendam a mensagem que você quer passar. E entendo, pode ser que você não necessariamente queira passar uma, porque às vezes é difícil transparecer esse questionamento.

Algumas pessoas compreenderão e pode ser que você se surpreenda com as palavras. Frases como “sempre imaginei que você fosse isso que você está dizendo” ou “estava só esperando você me dizer” podem vir. Com outras pessoas pode ser mais difícil – você pode encontrar frases mais duras ou até chantagens emocionais. Mas provavelmente existirá quem vai te entender.

O que é mais importante aqui é lembrar que, se você quer passar por essas mudanças e a sociedade vai perceber (em alguns casos, você pode simplesmente deixar como está), haverá quem compreenda e quem não. De novo, neste caso somente você sabe como agir.

Se quer apresentar-se como andrógino, quer mudar o seu corpo para isso?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

Pode ser que seu corpo não te satisfaça, digamos assim. Que você tenha nascido com algum questionamento interno: sou feliz assim? No espelho, queria ser diferente mesmo? A quem eu quero parecer? Minha essência é diferente do que vejo?

É um grande, enorme acontecimento chegar a uma conclusão dessas, de que seu corpo não se traduz exatamente no que você vê. Um descompasso da imagem externa com a imagem externa. E aí você precisa ter certeza. Não é uma certeza que alguém vai te contar. Já perguntou-se ao espelho “é isso mesmo”?

Há muitas possibilidades para se chegar a essa conclusão. É por luxúria? Por uma questão estética? Porque você não é você sendo assim e se fosse diferente seria melhor? Cada um tem seus motivos e elenca o que lhe é mais importante. Sei que não cabe a “nós” dizer que não, não faça por luxúria; não, tenha certeza de que é porque você não é assim e que deve ser diferente.

Novamente, não nos cabe o julgamento. De novo, já julgam a nós muito lá fora. Só tenha a certeza, porque pode ser irreversível. E, em muitos casos, é. Recomendo que você recorra a outras pessoas profissionais para te ajudar, quem sabe para até esclarecer na sua mente de que é isso mesmo (ou não).

Até quando ou quanto?

É mesmo! Tem uma certa ordem de acontecimentos – afinal, seu corpo e sua mente mudarão. E nesse caso você provavelmente vai precisar definir algo como:

  • é até você ficar no caminho do meio e continuar se apresentando como deste sexo para a maioria das pessoas… (algo como FtA ou MtA)
  • ou apresentar-se como do sexo oposto e pairar no meio? (algo como FtMtA ou MtFtA)

E pode ser que você esteja confortável com a sua aparência. Neste caso, provavelmente você não está lendo esse texto. :)

O próximo questionamento (quer enfrentar a sociedade, dar explicações para um monte de gente?) tem um pouco a ver com este.

Quer apresentar-se como andrógino para a sociedade?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

Então, como mostrar-se para a sociedade? É bem diferente de contar para os amigos. A não ser que você trate “a sociedade” como os amigos também, mas certamente não é fácil contar para todas as amizades. E decidir se isso vai ser discreto, gradual ou direto, reto. O que será?

A sociedade espera muito de nós. Na trincheira só entram dois gêneros: masculino e feminino. E diz que o homem tem de vestir suas roupas, a mulher outras. Que é preciso sentar assim, andar assado. Mas e quando você quer ser um pouquinho de cada? Nem que seja no meio da multidão, não é difícil achando que as pessoas vão perceber?

Vi que as pessoas, em geral, não percebem muita coisa. Parte do que nos protege também é o preconceito. Como as pessoas já olham esperando um “sexo” quando olham para alguém, assumem que aquelas vestimentas, a não ser que sejam muito diferentes, são desse gênero ao qual te associaram quando te viram.

Querendo experimentar: se você for para a sociedade alguém do gênero masculino, use uma camiseta feminina que não fique muito apertada. Ou se alguém do gênero feminino, o contrário (a não ser que seus peitos não o permitam, aí é necessário pensar numa estratégia como binders, tops apertados). Provavelmente pouca gente vai notar a diferença. Vão assumir que você é o que eles já conhecem de você.

Na sociedade, muito é um experimento. Se tudo for gradual, pode ser que um dia você vista todo o seu look com peças destinadas ao gênero oposto e ninguém exatamente perceba – aconteceu comigo.

Pode ser que você já seja alguém que confunde as pessoas. Se você tem essa sorte, é mais fácil de experimentar. Sendo homem, tendo mais curvas, e sendo mulher, menos, basicamente.

Afinal, a androginia em geral refere-se ao caminho do meio. É necessário dizer que é possível parecer mais andrógina mesmo se for uma mulher com busto avantajado ou um homem com muita barba ou muitos pelos. Mas claro, daí não será vista como uma pessoa “naturalmente” andrógina. É possível que você decida recorrer a meios mais drásticos, se o que você vê no espelho não te satisfaz.

A mulher pode querer diminuir os peitos usando um top apertado e roupas mais folgadas para disfarçar quadris e cintura. Quem sabe alterar o tom de voz, o jeito de falar, não rebolar ao andar.

O homem pode querer raspar os pelos e a barba ou até removê-los permanentemente. Emagrecer, usar roupas mais femininas, exercitar-se para perder cintura.

Algumas pessoas podem querer complemento hormonal. Outras ficam felizes sem ou têm sorte e o corpo é andrógino ou próximo. Novamente, cabe a cada um saber o que traz a felicidade.

Aqui eu não vou dizer nada do que você tem de fazer para apresentar-se diferente à sociedade. Você conhece bem seu círculo – se não conhece, deve fazê-lo. É imprescindível que você conheça todos ao seu redor. Aí você saberá o que e como experimentar.

A vida é um playground. Saiba descer para ele!

Comente, conte sua experiência com a sociedade. Acredito que todos nós podemos nos beneficiar. Como disse, farei daqui um compilado. Conte sua história!