Arquivo mensal: junho 2014

A identidade de gênero andrógina

Muito se fala sobre estilo de vida, aparência e como a androginia está relacionada à moda. Pouco se discute o que ela representa para quem vive a androginia na pele, seja porque simplesmente já se constitui assim ou porque tem um desejo inato.

Pode ser que você reconheça a androginia como uma identidade de gênero, uma forma com que você interage com a sociedade. Hoje, é comum que as pessoas apenas reconheçam como válidas as expressões homemmulher. A androginia pode estar no meio delas – como androginia pura ou ageneridade – ou em ambas – como bigeneridade. Todas estas formas de se apresentar, obviamente, são válidas, porque o que importa é que a pessoa tenha autonomia sobre seu corpo e que seu ponto de vista seja respeitado.

Porém, androginia per se não é uma identidade de gênero: afinal, há pessoas com diversas identidades de gênero que podem apresentar uma expressão de gênero andrógina. Homens, mulheres, pessoas bigêneras, agêneras podem se identificar como andróginas.

Identidade não binária

Ter uma identidade de gênero diferente de uma percebida pela sociedade pode causar frustração, pois você pode preferir que as pessoas te tratem por pronomes neutros ao invés de masculinos ou femininos e nem sempre elas vão perguntar a melhor forma de interação. Assim, muitas vezes você precisa ativamente se posicionar e dizer como prefere que tratem sua pessoa.

Você pode ser agênero (não ter gênero), bigênero (ter componentes firmemente de ambos gêneros, em alguns casos com o nome de Two-Spirit), genderfluid (fluir entre ambos gêneros). Frequentemente a parte identitária da androginia é tida como genderqueer, uma expressão não-normativa de gênero, mas nem todos genderqueer se identificam como andróginos.

Aliados à androginia

Saiba que, tanto quanto é caro às pessoas trans o respeito à identidade, é importante o respeito à identidade da pessoa não-binária. Neste caso, as pessoas de identidade não “mulher ou homem” (binárias).

Respeite a identidade e pergunte por qual pronome a pessoa deseja ser tratada. Não se trata de uma pergunta sem fundamento: pode efetivamente alterar a vida, para melhor, de a quem você faz tal questionamento e o respeita.

O “mero” respeito já lhe faz ser uma pessoa aliada à causa. Como bônus, com relação às pessoas não-binárias, você aprende com o tempo a usar uma linguagem natural a fim de evitar artigos definidos (o, a) quando dirigindo-se a uma pessoa. Dê preferência à linguagem realmente neutra, evitando usar termos como “elx”, “meninx”.

Você pode usar nomes: “Ariel sempre age com prestatividade – não tem frescura”; “Di me deu um presente hoje, amo!”; “Dani tem carinho por mim. E eu, claro, sou recíproca” (neste caso, você pode se definir, se quiser, obviamente).

Substituir construções como “é prestativo(a); agir com prestatividade”. É difícil no começo? É. Mas você aprende a torcer o nosso português, que é todo engessado aos gêneros. E mesmo assim é possível interagir de uma forma neutra.

Bônus extra de acessibilidade (além de aprender a linguagem neutra!): para cegos, os leitores não reconhecem “elx”, “meninx”.

 

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