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Androginia, feminilidade, masculinidade?

Uma pergunta aparece quando questionamos o que é “andrógino”. Será que é necessário abater todas as características femininas e masculinas para alguma coisa poder se intitular “andrógina”? A gente é condicionado pela sociedade a pensar que tudo tem sua definição masculina ou feminina. Algumas coisas são claramente de um ou outro gênero. Mas e o resto?

Quando você vê uma pessoa realmente dúbia, “prefere” ver que é alguém masculino travestido de feminino, o contrário ou simplesmente não dá nome? E quando há algo masculino, mas com toques igualmente femininos, que “nome” isso ganha? Há um espectro muito grande por onde o conceito da androginia pode pairar.

Em alguns casos, algumas pessoas também tem preconceitos dentro da nossa comunidade. Se alguém não está no conceito de beleza que achamos “legal”, pode ser que cometamos o erro de falar “ah, que (masculino/feminino) de tão feio/a”. Que digamos exagerado, exacerbado, fútil, qualquer nome. Mas e a gente? Não defendemos a liberdade?

Como fica a liberdade? Creio que a androginia deva ser inclusiva, e não exclusiva. Já há muito para que as pessoas se excluam. “você é muito masculina!” “que boiola” são algumas das frases que lembro. Pra que?

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Androginia e transsexualidade

Estamos diante de dois temas que, quando juntos, costumam causam furor. Mas toda decisão é pessoalíssima e nem sempre ela é compreendida. A androginia para muitos significa estar no muro e a transsexualidade significa cruzá-lo. Não é exatamente “só” assim.

A androginia quando comparada com a transsexualidade (ok, na verdade são incomparáveis) significa um estado intermediário. Ela:

  • nem sempre requer mudanças físicas – muitos nascem andróginos;
  • nem sempre é acompanhada de disforia de gênero;
  • nem sempre requer que a pessoa seja dúbia fisicamente.

Há vários “tipos” de androginia e eles usualmente são abusados. Só que o grande denominador comum é que a pessoa tem de acumular uma proporção parecida de características femininas e masculinas. Mesmo não sendo possível quantificar qual é essa proporção, temos alguns clichês e situações exemplo onde isso é identificável:

  • a moça tomboy, o menino metrossexual, etc;
  • a menina jogadora de futebol que faz as unhas, joga videogame e usa saias;
  • o homem másculo que é carinhoso, sensível e chora.

Repito, são exemplos. O que importa: a androginia não é exclusivamente expressada pelo corpo. Muitos outros componentes entram nesta equação.

A transsexualidade é uma palavra mais específica à mudança de gênero. Portanto, pelo menos requer que a pessoa mude de gênero ou a sua apresentação quanto a ele.

Também: pode ser que uma pessoa transsexual seja ou se apresente como andrógina. Como a androginia tem várias facetas, é perfeitamente possível que um antes homem mude de gênero, apresente-se como mulher, mas seja andrógina. Ou, parafraseando o começo do texto, você pode cruzar o muro para ficar do lado de lá dele.

Estes caminhos devem andar juntos. E, de novo, a gente já encontra muitas palavras negativas lá fora. Aqui não!

Personalidades de aparência andrógina

PS: A pessoa ter uma aparência andrógina não significa que ela se identifique como uma pessoa andrógina ou que tenha esta identidade de gênero.