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Roupa(gen)s

E as roupas?

As pessoas andróginas geralmente sentem-se mais confortáveis para usar roupas do gênero oposto. Estão em um espectro muito amplo da “não-conformidade” e os looks dos artistas na galeria de Personalidades de aparência andrógina de uma certa forma confirmam isso. É claro que nós, pessoas comuns, também podemos nos vestir da forma que melhor acharmos.

Provavelmente você vai sentir vontade de usar, se não o guarda-roupa inteiro, algumas peças do gênero oposto. É claro que ter vontade não significa necessariamente ter coragem. Mas se você tem bastante medo para arriscar, tenho algumas sugestões:

– se você for menina, provavelmente vai cortar as unhas mais curtas (geralmente esse pensamento vem bem cedo). É possível fazer isso sem “chocar a sociedade” (oh!). Usar uma camiseta mais folgada, quem sabe masculina? Pouca gente percebe a diferença. Ou até uma camisa. Menos enfeites, talvez. Você vai encontrar o tom, mas a dica é, nesse caso, ir devagar.

– se você for menino, pode fazer talvez o contrário. Deixar as unhas crescerem mais um pouco (?). Usar roupas mais acinturadas. Mais ou menos o contrário do que a menina faria. E eu estou deixando o cabelo crescer.

Eu já usei o vestuário todo com peças vendidas para o sexo oposto, com exceção das roupas de baixo (não tenho esse fetiche)  e ninguém, que eu saiba, percebeu. Bem, eu não radicalizei. Usei uma camiseta de cor bem feminina por baixo de uma camisa, por exemplo. Não questionaram nada, porque eu já vinha vestindo peças mais diferentes. Aí as pessoas só pensaram que tenho mais interesse por moda.

As roupas são, se você não cruzar a fronteira, algo completamente reversível na sua vida, caso você se arrependa depois. São uma boa forma para você testar se realmente quer isso, porque muda a maneira com a qual você interage, mesmo que intimamente, com a sociedade. No meu caso, eu ando com muito mais confiança na rua – e isso porque eu não estou usando roupas 100% femininas.

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Sobre o medo nas ruas

Li uma postagem da Lola Aronovich sobre a mulher ter medo de estupro nas ruas, sobre a constante observância que ela passa quando andando. Ela linkou o texto da Melissa McEwan sobre a cultura do estupro. Citando o original:

Iain has noted before that no cis straight man is really as disconnected from rape culture as so many of them assert themselves to be, that most men have experienced a lone woman quickening her pace on a sidewalk ahead. Some men use that as an opportunity to empathize with the woman. And some of them use that as an opportunity to get angry with her for “treating me like a rapist.”

Lola postou a seguinte parte:

[…] A maioria dos homens já passou pela experiência de ver uma mulher sozinha andar mais rápido por ele estar atrás dela. Alguns homens usam isso como oportunidade para empatizar com a mulher. E alguns usam isso como oportunidade de ficar bravo com ela por ela ‘estar me tratando como um estuprador’.

Não sei quanto a vocês, mas hoje eu me sinto um pouquinho mais frágil quando andando e me identifiquei nesse texto porque olho, mais que antes, para trás e o outro lado da rua, principalmente à noite. Provavelmente esse medo é de uma possível outra violência que não o estupro, mas é bem relacionada.

A apresentação

Oi. Sempre é difícil escrever a primeira palavra.

Falo sobre um tema que muita gente conhece – até na literatura moderna (jornais, revistas, principalmente as editorias de comportamento) – mas acho que não há um lugar em que esse conhecimento seja compilado, discutido e contestado. Então não vou, e sim vamos, abordar.

Pelo que notei, algumas pessoas usam os termos de uma forma mais estrita. Para facilitar, não vamos complicar? Androginia, como um todo, refere-se a um estado ou características de gênero indeterminado. Como citado no Susan’s Place aqui.

Beijos!