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Quer enfrentar a sociedade, dar explicações para um monte de gente?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

É. Pode ser que você tenha decidido alterar a sua “forma”. Aí, existe logo a pergunta: e agora? O que vou dizer para as pessoas? Como elas vão encarar? Enfrentarei preconceito? E meus amigos? Meus parentes? Perderei amigos, parentes? Será que eles vão compreender o que se passa comigo?

Em geral, a sociedade funciona com caixinhas. Se não for possível (como às vezes não é na androginia) te encaixar em alguma, pode ser que as pessoas não entendam a mensagem que você quer passar. E entendo, pode ser que você não necessariamente queira passar uma, porque às vezes é difícil transparecer esse questionamento.

Algumas pessoas compreenderão e pode ser que você se surpreenda com as palavras. Frases como “sempre imaginei que você fosse isso que você está dizendo” ou “estava só esperando você me dizer” podem vir. Com outras pessoas pode ser mais difícil – você pode encontrar frases mais duras ou até chantagens emocionais. Mas provavelmente existirá quem vai te entender.

O que é mais importante aqui é lembrar que, se você quer passar por essas mudanças e a sociedade vai perceber (em alguns casos, você pode simplesmente deixar como está), haverá quem compreenda e quem não. De novo, neste caso somente você sabe como agir.

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Se quer apresentar-se como andrógino, quer mudar o seu corpo para isso?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

Pode ser que seu corpo não te satisfaça, digamos assim. Que você tenha nascido com algum questionamento interno: sou feliz assim? No espelho, queria ser diferente mesmo? A quem eu quero parecer? Minha essência é diferente do que vejo?

É um grande, enorme acontecimento chegar a uma conclusão dessas, de que seu corpo não se traduz exatamente no que você vê. Um descompasso da imagem externa com a imagem externa. E aí você precisa ter certeza. Não é uma certeza que alguém vai te contar. Já perguntou-se ao espelho “é isso mesmo”?

Há muitas possibilidades para se chegar a essa conclusão. É por luxúria? Por uma questão estética? Porque você não é você sendo assim e se fosse diferente seria melhor? Cada um tem seus motivos e elenca o que lhe é mais importante. Sei que não cabe a “nós” dizer que não, não faça por luxúria; não, tenha certeza de que é porque você não é assim e que deve ser diferente.

Novamente, não nos cabe o julgamento. De novo, já julgam a nós muito lá fora. Só tenha a certeza, porque pode ser irreversível. E, em muitos casos, é. Recomendo que você recorra a outras pessoas profissionais para te ajudar, quem sabe para até esclarecer na sua mente de que é isso mesmo (ou não).

Até quando ou quanto?

É mesmo! Tem uma certa ordem de acontecimentos – afinal, seu corpo e sua mente mudarão. E nesse caso você provavelmente vai precisar definir algo como:

  • é até você ficar no caminho do meio e continuar se apresentando como deste sexo para a maioria das pessoas… (algo como FtA ou MtA)
  • ou apresentar-se como do sexo oposto e pairar no meio? (algo como FtMtA ou MtFtA)

E pode ser que você esteja confortável com a sua aparência. Neste caso, provavelmente você não está lendo esse texto. 🙂

O próximo questionamento (quer enfrentar a sociedade, dar explicações para um monte de gente?) tem um pouco a ver com este.

Quer apresentar-se como andrógino para a sociedade?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

Então, como mostrar-se para a sociedade? É bem diferente de contar para os amigos. A não ser que você trate “a sociedade” como os amigos também, mas certamente não é fácil contar para todas as amizades. E decidir se isso vai ser discreto, gradual ou direto, reto. O que será?

A sociedade espera muito de nós. Na trincheira só entram dois gêneros: masculino e feminino. E diz que o homem tem de vestir suas roupas, a mulher outras. Que é preciso sentar assim, andar assado. Mas e quando você quer ser um pouquinho de cada? Nem que seja no meio da multidão, não é difícil achando que as pessoas vão perceber?

Vi que as pessoas, em geral, não percebem muita coisa. Parte do que nos protege também é o preconceito. Como as pessoas já olham esperando um “sexo” quando olham para alguém, assumem que aquelas vestimentas, a não ser que sejam muito diferentes, são desse gênero ao qual te associaram quando te viram.

Querendo experimentar: se você for para a sociedade alguém do gênero masculino, use uma camiseta feminina que não fique muito apertada. Ou se alguém do gênero feminino, o contrário (a não ser que seus peitos não o permitam, aí é necessário pensar numa estratégia como binders, tops apertados). Provavelmente pouca gente vai notar a diferença. Vão assumir que você é o que eles já conhecem de você.

Na sociedade, muito é um experimento. Se tudo for gradual, pode ser que um dia você vista todo o seu look com peças destinadas ao gênero oposto e ninguém exatamente perceba – aconteceu comigo.

Pode ser que você já seja alguém que confunde as pessoas. Se você tem essa sorte, é mais fácil de experimentar. Sendo homem, tendo mais curvas, e sendo mulher, menos, basicamente.

Afinal, a androginia em geral refere-se ao caminho do meio. É necessário dizer que é possível parecer mais andrógina mesmo se for uma mulher com busto avantajado ou um homem com muita barba ou muitos pelos. Mas claro, daí não será vista como uma pessoa “naturalmente” andrógina. É possível que você decida recorrer a meios mais drásticos, se o que você vê no espelho não te satisfaz.

A mulher pode querer diminuir os peitos usando um top apertado e roupas mais folgadas para disfarçar quadris e cintura. Quem sabe alterar o tom de voz, o jeito de falar, não rebolar ao andar.

O homem pode querer raspar os pelos e a barba ou até removê-los permanentemente. Emagrecer, usar roupas mais femininas, exercitar-se para perder cintura.

Algumas pessoas podem querer complemento hormonal. Outras ficam felizes sem ou têm sorte e o corpo é andrógino ou próximo. Novamente, cabe a cada um saber o que traz a felicidade.

Aqui eu não vou dizer nada do que você tem de fazer para apresentar-se diferente à sociedade. Você conhece bem seu círculo – se não conhece, deve fazê-lo. É imprescindível que você conheça todos ao seu redor. Aí você saberá o que e como experimentar.

A vida é um playground. Saiba descer para ele!

Comente, conte sua experiência com a sociedade. Acredito que todos nós podemos nos beneficiar. Como disse, farei daqui um compilado. Conte sua história!

Você quer que a androginia permaneça somente dentro de você?

Este texto é um questionamento de “O Início” (categoria Começando). Se não o fez, leia-o para entender o contexto deste post.

A primeira pergunta deve ser essa, eu imagino. Porque o questionamento real deve partir de dentro. Antes de tudo, acho que a gente não muda tudo começando por fora. Senão, o sofrimento pode ser muito grande. Principalmente quando vamos enfrentar o que somos, toda mudança, creio, deve partir de dentro de nós.

Se o lado externo, plástico, estético é para você muito, mas muito mais importante que isso, provavelmente você não está lendo este texto. 🙂

Você acha que deve envolver outras pessoas nisso? Para muitos, acho que começa como um grande segredo que não se sabe como as outras pessoas vão reagir se souberem que ele existe. Parece que estamos com um enorme dragão dentro de nós e que temos de segurar para que ninguém perceba. E aí a gente tem de decidir se vai deixar ele gritar ou não.

Um breve PS: é claro, esse questionamento também serve para as pessoas trans, mas concentro os esforços para que nos identifiquemos mais. Em linhas gerais, pensamos coisas parecidas porque tudo requer grandes mudanças, grandes reflexões. E outro PS: existem pessoas trans andróginas.

Um monte, mas um monte mesmo, de coisas vêm à cabeça. Se a família vai aprovar, se um relacionamento vai abaixo, se os amigos vão continuar confiando. Aqui não é um lugar onde vamos reprovar ou aprovar alguma coisa. Estamos aqui para refletir, então cabe lembrar todas as possibilidades. Quando um dragão resolve falar dentro de nós, é bom pensarmos um pouco antes de abrirmos a boca porque o dragão você não controla.

Costumo dizer que os amigos continuarão amigos, relacionamentos podem (re)começar, mas família é sempre um calo para muita gente – a não ser que não se haja muito vínculo, só que somos um povo calorento e os vínculos familiares costumam ser fortes. Então acredito que esse pensamento seja mais ou menos o mesmo.

Já que de alguma forma estamos no mundo para nos descobrirmos, pode ser que algumas dessas relações acabem mesmo, caso decidamos soltar o dragão. Aí cabe medir as consequências. Se você realmente deseja, esteja com a plena convicção (onde “plena”, claro, varia de pessoa para pessoa). Se você quiser simplesmente medir o terreno, acho que você deve escolher alguém que não vai te machucar.

Acho perfeitamente normal passarem anos até tomarmos coragem, porque é uma coisa que não se encaixa em molde algum. Perguntam: “mas você quer virar (insira homem / mulher aqui)?” ou “então você é (gay / lésbica)?”

Outro breve PS: a disforia de gênero nada tem a ver com a sexualidade. Você pode ser um homem andrógino e gostar de mulheres. E uma mulher andrógina e gostar de homens. É normal.

Depois algumas pessoas até perceberam que era isso mesmo, sempre me viram assim mas não sabiam do que se tratava. E muita gente acaba nascendo assim, seja lá qual for o motivo. O motivo eu acho que não nos cabe explicar porque é pessoalíssimo. Só nos cabe rodear os meios. Daí, cada um, cada um. Devemos e podemos, sim, é contar nossas experiências e opiniões.

Você tem outros questionamentos? Comente!